São Paulo – O mundo está nas nuvens. Em formação há anos, a computação em nuvem deixou de ser uma tendência e já mostra que caminha, sim, para se tornar a inovação que vai definir a forma como armazenaremos informação nas próximas décadas. A mais nova contribuição a esse mundo nada etéreo foi dada por Steve Jobs, no meio de junho, ao anunciar o iCloud, serviço de armazenamento e sincronização de arquivos que coloca a Apple de novo na vanguarda. Para oferecer gratuitamente 5 GB de espaço na nuvem, a empresa conta com três centrais de servidores. A mais recente, localizada em Maiden, na Carolina do Norte, tem área de 46,4 mil metros quadrados, o equivalente a cinco campos de futebol, e custou estimados 500 milhões de dólares. Na apresentação do iCloud, Steve Jobs disse que essa central será “o mais verde possível”. A preocupação faz sentido. Os grandes data centers, que reúnem servidores com alto poder de processamento, são os novos vilões do meio ambiente, por consumirem 2% de toda a eletricidade gerada no mundo, com crescimento de 12% ao ano. Mas isso já começa a mudar.

Veja o caso do Facebook. Diariamente, cerca de 350 milhões de pessoas no mundo acessam suas contas na rede social de Mark Zuckerberg. Elas trocam mensagens, comentam notícias, fazem upload de fotos. A rede recebe mais de 200 milhões de imagens a cada dia. São números grandiosos, que exigem muito poder de processamento. Para dar conta desse movimento intenso, o Facebook inaugurou, há quatro meses, um centro de dados construído em Prineville, no estado do Oregon, nos Estados Unidos.

 

Com investimentos estimados em 215 milhões de dólares, a construção não lembra muito um data center tradicional, instalado em edifícios sem janelas, num cenário geralmente inóspito. O Facebook seguiu a linha das empresas sustentáveis e adotou medidas para tornar seu centro mais verde. Além de beneficiar o meio ambiente, a iniciativa ajuda a diminuir os altos custos de manutenção.

O data center do Facebook ocupa 14 mil metros quadrados e deve dobrar de tamanho até a metade de 2012. Ele não usa ar condicionado tradicional, um dos vilões da conta de energia. O sistema de refrigeração aproveita o ar natural, que passa por um processo de purificação e, se necessário, recebe umidificação para chegar aos servidores em condições ideais de temperatura (veja o gráfico). Com um processo natural chamado convecção, que mantém o ar frio embaixo e empurra o ar quente para cima, o sistema ainda permite reutilizar parte do ar quente que vem das máquinas na calefação dos escritórios do edifício. Com isso, o Facebook afirma que seu data center usa 38% menos energia para dar conta das mesmas tarefas e ainda pesa 24% menos no orçamento.

O projeto é tudo

Para usar o ar natural na refrigeração, o Facebook escolheu a dedo a localização do data center. A cidade de Prineville tem ar limpo, com baixa umidade relativa, pouca chuva e temperatura que no verão não ultrapassa os 40 °C. Os incentivos fiscais oferecidos se juntaram às condições climáticas e tornaram o projeto do Facebook um exemplo a ser copiado por outras empresas que pensam em reduzir ou eliminar o uso do ar condicionado. Essa replicação é possível porque o Facebook decidiu tornar públicas as informações da construção de seu data center, por meio do <a href=” http://opencompute.org”>Open Compute Project </a>. Assim, qualquer empresa pode adotar o modelo usado em Prineville, que obteve o selo ouro do sistema de certificação Leed, reconhecido mundialmente como sinônimo de práticas corretas com o meio ambiente.

Além do Facebook, outras grandes empresas, como Google, Microsoft e Apple, estão investindo em data centers verdes. O Google conseguiu diminuir em 50% os custos com energia para alimentação e resfriamento de todos os data centers da empresa. As alternativas chegam até ao uso de água do mar para refrigeração, como no projeto do centro de dados em Hamina, na Finlândia, ou de reúso de água de um canal industrial na unidade de Saint-Ghislain, na Bélgica.

As empresas têm ainda comprado equipamentos mais eficientes, que suportam a virtualização, garantindo um emprego mais racional dos recursos. “Há mais uso de memória flash, que consome em média três vezes menos energia que os discos que rodam a 15 mil RPM. Elas custam um pouco mais, mas os servidores ganham performance”, afirma Paulo Bosco Otto, especialista em sistemas de storage da Oracle.

Soluções ainda na Infância

A preocupação em tornar mais verdes os data centers começa a se refletir também nos projetos executados no Brasil. Mas não é simples usar aqui o que se vê hoje lá fora. “Em países tropicais como o nosso não daria para usar ar natural, por exemplo”, afirma Enildo Martins Barros, diretor de infraestrutura do portal Uol. A solução adotada pela empresa foi a utilização de ventiladores variáveis, que conseguem regular quanto de ar frio vai para cada sala, graças ao monitoramento em vários pontos. A última unidade da empresa — são seis no total, sendo duas na Colômbia — foi aberta no centro de São Paulo, no ano passado, e pode receber uma concentração de até 30 mil servidores.

“Ainda estamos na infância dessas soluções”, diz Alexandre Kazuki, diretor de marketing de enterprise servers, storage e network da HP. “A preocupação com questões verdes é recente, assim como esse novo jeito de pensar um data center. Antes, falávamos de máquinas, processadores, ar condicionado. Hoje vemos o todo.” Se nosso clima tropical não motiva o uso da refrigeração natural, pelo menos é possível se preocupar com uma construção mais sustentável do espaço que o data center ocupará. Foi o que fez a Alog, empresa que oferece serviços de hosting e colocation, alugando espaços em seu data center para os servidores de outras empresas. “Tivemos uma preocupação com o projeto, para fazer corredores quentes e frios, com enclausuramento total”, diz Peter Catta Preta, diretor de infraestrutura da Alog.

Já é possível comparar quanto um data center é mais verde que outro. Para isso, leva-se em conta a eficiência energética e calcula-se um índice chamado internacionalmente de PUE (Power Usage Effectiveness, ou eficácia do uso de energia). “Essas métricas demonstram a relação entre o consumo de energia do data Center e o dos equipamentos”, diz Fernando Belfort, analista sênior da consultoria Frost & Sullivan. Quanto mais próximo de 1 no índice PUE, maior a eficiência do data center.

No Facebook, por exemplo, o índice está em 1,07. No Brasil, uma das melhores marcas é da Locaweb, que tem PUE de 1,5. Nos data centers tradicionais, o índice pode chegar a até 3. O centro de dados mais novo da Locaweb, em São Paulo, foi inaugurado em 2009 e privilegia o uso de compartilhamento e virtualização. “Assim aumentamos a concentração de gigabytes por servidor”, diz Gilberto Mautner, CEO da Locaweb. A empresa usa processadores de baixa voltagem e fontes que dissipam menos calor, economizando energia para o resfriamento. O data center tem espaço para quatro módulos e sua capacidade total pode superar 30 mil servidores. O investimento para a construção chegou a 40 milhões de reais e até 2017 a empresa pretende investir mais 111 milhões de reais em suas fazendas de servidores.

Além da preocupação com a eficiência da energia, começa a surgir um movimento para tornar os centros de dados ainda mais sustentáveis. “As empresas já pensam no destino do lixo eletrônico gerado pelos data centers”, diz John Pflueger, estrategista ambiental da Dell. Segundo ele, o grupo que segue nessa direção vem crescendo. O futuro dos data centers promete ser ainda mais verde e capaz de suportar os muitos serviços que ainda surgirão na esteira do iCloud, da Apple, e da computação em nuvem.

Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/os-novos-data-centers-verdes-20092011-10.shl

 

 

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